Implante invisível – Os poréns do “milagre” de poder ouvir

10/10/2011 21:47

 

Parece que o resultado do tratamento realmente conseguiu entusiasmar as massas, afinal de contas, um implante invisível e milagroso que ao ser ativado faz com que o deficiente auditivo comece a falar normalmente como se nunca tivesse tido nenhum problema de fala, de fato, é algo sensacional.A empolgação do público com a recente “descoberta” – e o interesse em ver a reação de uma pessoa quando ouve a própria voz pela primeira vez- efetivamente gerou grande audiência na Internet. Em menos de 10 dias, a gravação no Youtube já atingiu mais de cinco milhões e meio de visitantes. Já foi publicado em dezenas de canais de notícias como CNN, BBC, e outros – e seu índice de popularidade na rede aumenta a cada minuto.
Mas e os poréns?
Embora eu também seja uma entusiasta de novidades – há de se ressaltar que sempre existem nuances e “poréns” para todo e qualquer novo produto inventado, e a empolgação de um lançamento COMERCIAL muitas vezes deve ser tratada com cautela – principalmente quando se trata de algo relacionado a saúde.  As milhares de pessoas que assistiram a este vídeo muitas vezes podem pensar que existem soluções mágicas e milagrosas para problemas complexos – e há de se ressaltar que isso pode gerar uma grande frustração aos deficiêntes auditivos; e grande cobrança e exigência por resultados pelos familiares – uma vez que as pessoas criam uma expectativa muito além da realidade, sem levar em conta que todo procedimento tem riscos e que podem haver casos em que o resultado não é o esperado.Desta forma resolvi escrever este breve comentário com basicamente 2 pontos que deveriam ser considerados, e amplamente divulgados, em relação ao tema. Cabe aqui ressaltar que: i) não me dediquei a longas jornadas de estudo sobre o novo dispositivo, portanto, o que vou falar é apenas uma primeira percepção pessoal de um assunto complexo que , ao meu ver, ainda deverá ser muito estudado e testado;  ii) e em hipótese alguma pretendo avaliar, e muito menos denegrir, o produto em questão.i) Na área industrial, por exemplo, podemos ver frequentemente empresas anunciando recalls, trocas ou revisões gratuitas de produtos já consagrados e amplamente difundidos – imagine isso sendo necessário acontecer com um implante completamente implantado;  Embora a ciência evolua constantemente e o tempo de desenvolvimento de invenções tecnológicas na área da saúde esteja cada vez menor – entendo que não podemos pensar num produto para grande população em um curto período de tempo principalmente por questão de segurança. Lembro que o próprio Implante Coclear demorou anos para se “estabilizar” como um equipamento seguro;

ii) Além do preço que é muito maior que as AASI tradicionais, existe também um outro possível limitador que está principalmente relacionado ao consumo de energia de um sistema como o do Easteem. Mesmo que as baterias pudessem ser recarregadas através de uma transmissão de rádio, o número de carga e descarga é limitada – o que exigiria a substituição periódica das baterias por procedimento cirúrgico – o que muitas vezes não é algo indicado.

Em suma, é uma alegria ver a evolução da área – mas devemos tomar o cuidado de não gerar grandes expectativas aos possíveis candidatos-usuários do implante invisível, e milagroso, que ao ser ativado faz com que o deficiente auditivo comece a falar e intaragir normalmente.

Para quem ainda não viu, segue vídeo da ativação de Sarah Churm.

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Trata-se da prótese “invisível” chamada de “Esteem”. Tem a mesma função das próteses auditivas tradicionais porém são colocadas através de uma cirurgia que envolve uma incisão imperceptível atrás da orelha – daí o nome de “prótese invisível” – pois é um AASI interno. Cabe aqui ressaltar que não substitui ou “concorre” com o implante coclear – uma vez que é indicada para pessoas com audição residual – o aparelho amplifica o som fazendo com que a pessoa que possui perda auditiva (de moderada a profunda) consiga escutar. O implante coclear não amplifica os sons. Ele fornece informação sonora útil ao estimular diretamente às fibras neurais remanescentes na cóclea, o que permite à pessoa uma melhor percepção auditiva.

Segundo a fabricante, após oito semanas de colocação, caso não tenham aparecido complicações ou rejeições, o usuário pode se conectar ao mundo sonoro. Não tenho certeza se já foi aprovada pelo FDA – entretanto é certo, até o momento, que não foi autorizada comercialmente pela ANVISA

O momento captado no vídeo abaixo é precisamente quando o dispositivo foi acionado.

Ver vídeo: www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=6Z-UIMKPotA

 

No vídeo, somente uma cadeira, um computador e a implantada Sarah Churm, uma americana de 29 anos – até então supostamente completamente surda – e devido a um pequeno aparelho no seu ouvido pôde ouvir sua própria voz pela primeira vez na vida. Não era exatamente um poema, mas,  ela tinha acabado de ouvir as palavras mais lindas do mundo.

“Acabei de ouvir a minha voz,” a paciente é movida pela emoção. Sarah Churm que por quase 30 anos não foi capaz de ouvir nenhum som – ou seja, desde o momento em que ele nasceu – teve o fim de sua vida em silêncio total imortalizado no emocionante vídeo.

Fonte:http://ouvidobionico.org/2011/10/03/implante-invisivel/